O projeto não vingou. Mas ninguém teve coragem (ou autonomia) para declarar seu fim. Afinal, essa agenda foi criada pelo alto escalão. Aos times, sobrou o invite recorrente de acompanhamento na agenda e o constrangimento de ter que falar toda semana alguma cascata na reunião.
Em algum momento, os convidados começaram a faltar, recusar o invite e o projeto morreu, sem ser enterrado.
Esse relato do mundo corporativo exemplifica por que é tão importante encerrar formalmente os projetos que fracassaram. Se não deu certo, reconheça, crie um plano de descontinuação, aprenda com a experiência e libere o time para partir para outra.
Estamos na virada de ano, um período que desperta grandes discussões sobre planos, pessoais ou corporativos, para o ano seguinte. Talvez você ou sua empresa já tenham sua lista de metas para 2026. Mas você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Tempo é dinheiro… e ambos são escassos
Por maior que seja o orçamento de uma empresa, nunca há dinheiro e equipe suficiente para fazer tudo que desejamos. É imperativo fazer escolhas sobre projetos para alocar seus investimentos.
Na minha última coluna, falei sobre a necessidade de conciliar negócios maduros e inovadores nas rotinas empresariais, para conseguir sobreviver no curto e no longo prazo. Mas isso não significa insistir em projetos eternamente.
Ideias inovadoras frequentemente não evoluem. Se você testou e não conseguiu resultados satisfatórios, uma hora é preciso dar o caso por encerrado. Da mesma forma, negócios maduros entram em declínio. E em algum momento eles perdem a atratividade. Nas duas situações, o melhor a fazer é suspender as atividades e direcionar os recursos para outra coisa.
Muitas vezes esse “fim” não é claro. Ainda dá para espremer melhor o limão maduro e tentar mais um pouco virar a inovação. Mesmo assim, pode valer a pena parar o projeto. Simplesmente porque surgiu algo com mais potencial para alocar os recursos da companhia.
A tarefa de conseguir orçamento novo nas empresas é árdua, até mesmo para aquelas muito lucrativas. Muitos gestores se empenham em missões quase impossíveis de negociação com o departamento financeiro para conseguir verba para seus projetos. E muita coisa não sai do papel porque não há liberação de dinheiro.
Mais fácil do que isso, é alocar recursos de um projeto para o outro. Dinheiro não tem carimbo. O financeiro não está muito preocupado com o que seu departamento está gastando, desde que você não gaste mais.
Os bons líderes têm visão estratégica e ousadia de fazer escolhas. Se acredita em algo e não tem recurso para fazer, simplesmente tire o que menos importa do caminho e aposte nos projetos mais promissores.
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Como enterrar um projeto
Para a liderança, interromper um projeto é um exercício de desapego, flexibilidade e pragmatismo. Eu diria também que há um quê de otimismo. Sim, eu quis dizer otimismo mesmo.
Otimismo com o que vem pela frente. Se o fim de um projeto foi uma decisão estratégica e não um corte de custos, existe uma oportunidade de alocação de recursos para a ampliação de outro negócio ou para a criação de algo totalmente novo.
É aí que entra a discussão sobre as metas de Ano Novo. Se você tem planos ambiciosos para 2026, o primeiro passo para fazer acontecer é deixar para trás o que já está desgastado em 2025.
Espero que essa reflexão lhe ajude a buscar alçar voos mais altos na sua carreira e na sua vida como um todo no próximo ano. Feliz 2026!
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