Gastronomia surpreendente, artesanato vibrante, guias e moradores especialistas e uma inexplicável energia mÃstica rondando a região. Localizada no coração do planalto central goiano, a Chapada dos Veadeiros virou um dos destinos mais desejados do Brasil na última década. E é fácil entender o porquê.
Situada a apenas 230 km de BrasÃlia, a região reúne municÃpios como Alto ParaÃso, São Jorge, Cavalcante e Nova Roma, cada um com caracterÃsticas e atmosferas próprias. São cânions, paredões de quartzito, trilhas históricas e centenas de cachoeiras que brotam em meio ao cerrado, um dos biomas mais antigos e resilientes do planeta. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, tombado como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, é o eixo dessa riqueza natural.
A melhor época para visitar é entre abril e julho, quando as chuvas se estabilizam, o acesso à s trilhas fica mais seguro e as cachoeiras mantêm fluxo pleno. No auge da seca, entre agosto e setembro, as águas ficam mais cristalinas, mas algumas quedas diminuem de volume; já de outubro a março, perÃodo de chuvas, é preciso atenção redobrada ao risco de tromba d’água.
Para o viajante doméstico, uma vantagem extra é a praticidade: em apenas 48 horas é possÃvel conferir grande parte das atrações que tornam o destino uma experiência imperdÃvel. Abaixo listamos dicas práticas para tirar o máximo de dois dias por lá.
Chegada e deslocamento
Partindo de BrasÃlia, a maneira mais prática é alugar um carro no aeroporto. O trajeto de cerca de três horas faz parte da experiência: o primeiro trecho revela o cenário agropecuário predominante no centro-oeste, com lavouras extensas e silos metálicos marcando o horizonte. Aos poucos, a paisagem se transforma e o cerrado preservado anuncia outra cadência.
Um conselho importante para quem vai pela primeira vez é abastecer sempre que possÃvel e evitar dirigir à noite, especialmente no trecho final.
Hospedagem e recepção
Para um fim de semana curto, a escolha da hospedagem define o ritmo da viagem. A Pousada Inácia, localizada na Rodovia GO-118, na Fazenda Almécegas, é uma aposta certeira.
Os chalés amplos e bem decorados, o serviço atencioso e o café da manhã que valoriza ingredientes regionais compõem uma atmosfera acolhedora. A localização estratégica é um trunfo: está ao lado da trilha das cachoeiras Almécegas I e II, da Aldeia Multiétnica e a poucos minutos da vila de Alto ParaÃso.
A própria pousada funciona como um programa. As trilhas internas permitem caminhadas leves, ideais para quem chega do planalto e precisa se adaptar à altitude de cerca de 1.200 metros, variação que pode impactar alguns visitantes mais sensÃveis. Por isso, vale reservar um entardecer na chegada para desacelerar. No caso de um fim de semana, é um crepúsculo na piscina, com o pôr do sol que pinta o céu do cerrado em tons alaranjados.
À noite, a pedida é o jantar no L’Alcofa, restaurante da pousada comandado pela chef Andrea Lucia. A adega também merece atenção, especialmente se a noite pedir um vinho mais estruturado.
Pousada Inácia e L’Alcofa: Rodovia GO-118 KM 159, Alto ParaÃso de Goiás
Dia 1: natureza em estado puro
Com apenas um dia completo para explorar a Chapada, o segredo é escolher bem. Entre as experiências imperdÃveis estão:
Vale da Lua
Um dos pontos mais emblemáticos, com formações rochosas que lembram paisagens extraterrestres. As piscinas naturais variam conforme o volume de água, em época de seca, revelam cores e cavidades incrÃveis. Chegar cedo é fundamental para evitar filas no estacionamento e aproveitar a luz suave da manhã.
Cachoeira do Segredo
Uma das quedas mais impressionantes da região, com 120 metros de altura. A trilha é moderada e atravessa trechos de vegetação densa, mas recompensa com um poço frio e profundo sob um paredão monumental que faz valer a jornada. Em feriados, o acesso é controlado; recomenda-se ir com guia credenciado.
Jardim de Maytrea
Não é uma trilha, mas um mirante natural icônico. No fim da tarde, o campo aberto e as veredas de buritis compõem um dos pores do sol mais bonitos do Brasil. Fotógrafos, inclusive, consideram o local um cenário obrigatório.
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
Para quem prefere autonomia, o parque oferece trilhas autoguiadas muito bem-sinalizadas. A Trilha dos Cânions e Cariocas é a mais completa, enquanto a trilha das Sete Quedas, mais longa, é recomendada apenas com mais tempo.
Para quem tem apenas um sábado, digamos, a recomendação é escolher apenas um grande atrativo e fazê-lo com calma. A Chapada, afinal, é um destino para sentir, não para colecionar check-ins.
Noite livre na Chapada
Depois de um dia intenso, a noite merece um programa à altura. Duas opções se destacam:
No Santo Cerrado, na vila de São Jorge, drinques autorais e cozinha criativa se somam à atmosfera vibrante ao ar livre. Vale reservar mesa, pois costuma lotar.
Já o Vila Tôa, dentro da pousada homônima, por outro lado, tem menu inspirado nos sabores do cerrado, ambiente intimista e pratos bem executados sem excessos.
Ambos os espaços capturam a essência gastronômica da região, que combina ingredientes nativos, técnicas contemporâneas e um clima descontraÃdo.
Santo Cerrado: Viela C, Quadra 08, Lote 2, s/n Vila de São Jorge
Vila Tôa: R. 4, 1 - Alto ParaÃso de Goiás
Dia 2: despedida com calma
Antes do check-out, a sugestão é fazer a trilha leve que sai da própria Pousada Inácia até a Cachoeira Almécegas I — uma das mais belas da região, aliás. A queda impressiona pela força e pela clareza da água, e o mirante superior é um ponto perfeito para fotos.
Na volta, o café da manhã com vista aberta para o cerrado funciona como um ritual de encerramento daqueles que não parecem fim, mas inÃcio de um desejo de retorno.
Em apenas 48 horas, a Chapada dos Veadeiros consegue entregar natureza em estado puro, gastronomia cuidadosa, hospedagem com alma e uma sensação única de renovação. Para quem vive na velocidade das grandes cidades, talvez isso seja exatamente o tempo necessário para reencontrar o ritmo certo.
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