Uma proposta de cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã chegou à mesa de negociações nas últimas horas do domingo (5), mas pode não sair do papel tão cedo.
A oferta, elaborada por mediadores do Egito, do Paquistão e da Turquia, inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. Porém, antes mesmo que o mercado tivesse tempo de digerir o possível acordo, o Irã deixou claro que o tráfego livre na região não está mais na jogada.
"O Estreito de Ormuz jamais voltará a ser como era, especialmente para os Estados Unidos e Israel", afirmou o comando da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã em postagem em rede social.
Segundo a Press TV, mídia iraniana, o anúncio da organização significa que a “hegemonia estrangeira” no estreito acabou e que potências de fora da região, como os EUA, não poderão mais ditar termos e ter influência sem restrições nas águas próximas ao Irã.
Isso inclui ainda criação de uma “arquitetura de segurança nativa” no Golfo Pérsico, com base no princípio de que a estabilidade regional deve ser garantida pelos países que o costeiam.
Os preparativos, de acordo com a Press TV, incluem reforço naval, sistemas avançados de monitoramento e capacidade de resposta rápida coordenada.
“A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica está concluindo os preparativos operacionais do plano comunicado oficialmente pelas autoridades iranianas para uma nova ordem no Golfo Pérsico”, acrescentou a organização.
A escalada das tensões entre EUA e Irã
O anúncio ocorre após Trump fazer mais um ultimato ao Irã, desta vez em meio a palavrões: "abra o maldito Estreito de Ormuz, ou vocês viverão no inferno, seus malucos”, disse.
O republicano também ameaçou destruir usinas de eletricidade e pontes do país persa caso a região não seja liberada até terça-feira (7).
Porém, de acordo com a Associated Press, Seyyed Mohammad Mehdi Tabatabaei, porta-voz da presidência do Irã, afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz só ocorreria se parte das receitas do tráfego de navios por lá for destinada a compensar o Irã pelos danos de guerra.
Já o comandante da Força Quds, tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã, Esmail Qaani, declarou que os Estados Unidos e Israel, que atacam o país persa há mais de um mês, devem esperar “nova surpresas”.
Ele se referia à operação de resgate de um piloto americano, cujo avião foi abatido no sábado (4) em território iraniano. Segundo os iranianos, o ataque resultou na destruição de dois aviões de transporte e dois helicópteros Black Hawk dos EUA, apesar de um piloto ter sido resgatado.
Segundo a iraniana Press TV, o comandante da Força Quds chamou as lideranças dos EUA e Israel de “Elite Epstein”, em referência ao norte-americano Jeffrey Epstein, morto em 2019. Na época, o empresário estava preso preso por acusação de comandar uma rede de exploração sexual de menores.
O que as autoridades iranianas dizem?
As declarações da Marinha da Guarda Revolucionária foram acompanhadas de outras críticas ao presidente norte-americano por autoridades iranianas, que também responderam às ameaças de destruição feitas pelo presidente dos EUA.
“Seus movimentos imprudentes estão arrastando os Estados Unidos para um INFERNO na terra, e toda a nossa região vai queimar porque você insiste em seguir as ordens de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel”, disse em rede social o presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf.
“Não se engane: você (Trump) não vai ganhar nada por meio de crimes de guerra”, afirmou o iraniano. “A única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e encerrar esse jogo perigoso”, concluiu.
Mar Vermelho como novo foco?
Já Ali Akbar Velayati, ex-ministro das Relações Exteriores e assessor do líder supremo do Irã, alertou que “a frente da resistência”, que reúne grupos aliados do Irã no Líbano, Iraque e Iêmen, poderia mirar o Estreito de Bab Al-Mandeb, no Mar Vermelho.
O ataque na região adicionaria uma nova camada no conflito, já que é por lá onde passa cerca de 12% do comércio mundial, segundo informações da Associated Press.
“Se a Casa Branca pensar em repetir seus erros estúpidos, rapidamente perceberá que o fluxo de energia (petróleo) e de comércio global pode ser interrompido com um único sinal”, disse ele.
*Com informações do Money Times e da Broadcast.
The post EUA sobem o tom sobre Estreito de Ormuz, mas Irã não recua e manda recado: “jamais voltará a ser o que era” appeared first on Seu Dinheiro.
