Tente imaginar um prédio de 40 andares decolando… Agora, pense nele chegando ao espaço e voltando para pousar na Terra. É exatamente isso que a SpaceX, de Elon Musk, faz com o sistema de foguete mais poderoso já construído: o Starship.
O sistema é composto por dois elementos: o Super Heavy, o foguete propulsor com cerca de 71 metros de altura, e o Starship, a nave que é impulsionada pelo foguete e depois se separa dele para seguir viagem sozinha rumo ao espaço sideral.
Esse veículo de lançamento tem capacidade de transportar mais de 100 toneladas ao espaço. Mas, o verdadeiro trunfo do sistema de Elon Musk é o: “Mechazilla”.
O apelido, dado carinhosamente pela própria SpaceX, se refere ao mecanismo que ocorre durante o lançamento: o Super Heavy desacelera no ar, "dá ré” e é abraçado por dois enormes braços mecânicos na própria torre de lançamento.
É como se a estrutura estendesse as mãos para aparar o foguete antes que ele toque no chão. E isso não é ficção, é engenharia real.
O foguete “não descartável”
Por muito tempo, os foguetes eram descartáveis. Cada missão exigia a construção de um veículo novo que, em seguida, não seria reaproveitado.
Segundo a The Strategist, do Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI), um dos grandes objetivos do Starship é a redução de custos com lançamentos espaciais.
Para se ter ideia, estima-se que o SLS (Space Launch System), da NASA, custe de US$ 2,5 bilhões a US$ 4 bilhões por lançamento. Um custo exorbitante para um veículo que não será reutilizado.
Mas a SpaceX teve uma grande sacada: se o foguete volta, o custo com novos lançamentos cai. Foi assim que surgiu o Falcon 9 e, em seguida, o Starship.
De acordo com a empresa Voyager , que possui contrato para lançar sua primeira estação espacial, a Starlab, a bordo de uma nave Starship, o custo estimado desse lançamento é de US$ 90 milhões.
Assim, temos um exemplo de que, de fato, a redução de custos com o lançamento do Starship é algo real e expressivo.
Não é à toa que o “foguete que dá ré” virou o símbolo mais poderoso da SpaceX. E, agora, a fabricante de foguetes reutilizáveis está prestes a dar um grande passo.
Um pequeno passo no espaço, um salto decisivo para a SpaceX
Toda essa engenhosidade possui um custo. E uma ambição ainda maior.
Após mais de duas décadas operando como uma empresa de capital fechado, a SpaceX protocolou no início de abril um pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos.
A empresa de Musk pretende captar cerca e US$ 75 bilhões no IPO. Se a expectativa se confirmar, a estreia na bolsa de valores fará a empresa alcançar uma avaliação de mercado de mais de US$ 1,75 trilhão. Assim, o movimento se consolidaria como o maior IPO da história.
Dessa maneira, a fabricante de foguetes reutilizáveis será inserida imediatamente no seleto grupo das empresas mais valiosas do mundo, ao lado de Apple, Microsoft e Nvidia.
O roadshow do IPO está previsto para começar na semana do próximo 8 junho. Um evento especial para 1.500 investidores pessoa física está previsto para o dia 11.
Para dar conta do recado, a SpaceX contratou o maior sindicato de bancos já reunido para um IPO. Foram 21 instituições financeiras de diferentes países e perfis.
O único banco latino-americano selecionado foi o BTG Pactual.
Marco histórico para o BTG Pactual
Em meio a gigantes de Wall Street, como Morgan Stanley, Goldman Sachs e JP Morgan, como o banco latino-americano entrou no IPO da SpaceX?
O BTG Pactual é considerado o maior banco de investimentos da América Latina. Além disso, a instituição tem um histórico concreto em operações internacionais.
Em 2014, por exemplo, o BTG Pactual foi distribuidor exclusivo na América Latina no IPO de um fundo da Pershing Square na Euronext. O banco também participou dos IPOs da espanhola Cellnex Telecom e do correio italiano, ambos em 2025.
Agora, o BTG Pactual está prestes a fazer parte do maior IPO da história do mercado de capitais. O que torna este momento um marco tanto para o banco quanto para o mercado financeiro brasileiro.
Mas o que o mercado realmente vai comprar?
A SpaceX lidera lançamentos espaciais, opera a Starlink, serviço que oferece internet confiável de alta velocidade e baixa latência, em escala global e tem contratos bilionários com a NASA.
Logo, o seu valor vai além da receita atual. Parte do mercado vai comprar o que a SpaceX pode se tornar.
O foguete que pousa de ré, por exemplo, não é só engenharia. É o símbolo de um modelo com potencial de transformar toda a indústria.
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