Chico é o nome do cachorro do meu tio. Antes que você entenda mal: não, meu tio não é um cachorro, longe disso!
O único problema dele foi ter acreditado que o Chico seria um ótimo cão de guarda — um labrador que, apesar de seus 45kg, é extremamente dócil e se derrete todo com qualquer pessoa que chegue perto.
Para a sorte de ambos, o Chico nunca precisou mostrar suas habilidades policiais até hoje, mas não é preciso ser nenhum expert em caninos para saber que um labrador está longe se ser um bom cão de guarda.
E da mesma forma que nem todo cão é “de guarda”, nem toda elétrica é boa pagadora de dividendos. Só que tem muita gente que continua insistindo neste erro.
O corte nos dividendos
Na quinta-feira (26), a Equatorial despencou 5%, mesmo com resultados sólidos: o Ebitda ajustado cresceu 10% na comparação com o 4T24, acima das expectativas do mercado.
Aparentemente, o mau humor veio com o anúncio feito pela companhia de redução nos dividendos obrigatórios, de 25% para 1% do lucro líquido.
Mas isso não deveria ser uma novidade tão absurda. A verdade é que a Equatorial nunca foi uma boa pagadora de dividendos (com exceção de 2025, o yield dos últimos dez anos nunca superou 3,6%).
Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos seus acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter seus lucros para financiar novas aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas.
Com base nessa fórmula aparentemente simples, mas difícil de replicar, a Equatorial se tornou uma das histórias de maior sucesso da Bolsa brasileira, como você pode verificar no gráfico que mostra crescimento de 150 vezes (!) do Ebitda desde 2004.
Isso jamais teria acontecido se a companhia tivesse distribuído muitos dividendos ao longo dos anos.
Se alguém está errado nessa história é o investidor que escolheu Equatorial para receber bons dividendos, pois essa nunca foi a vocação da companhia, mesmo sendo uma elétrica.
Dividendos é a vocação da Axia e é por isso que ela é a elétrica presente na série Vacas Leiteiras.
A Equatorial faz parte de outra carteira, a da série Melhores Ações da Bolsa, focada em compounders — empresas com maior capacidade de crescimento e que, vejam só, costumam reinvestir o máximo possível de seus lucros. Por isso eu sigo confiante com a tese.
Você prefere dividendos ou empresas de crescimento? Com o Empiricus+ você pode conferir as duas carteiras e muitas outras pelo preço de uma só. Se quiser saber mais, deixo aqui o convite.
Um abraço e até a próxima,
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