Depois de começar 2026 renovando máximas, a bolsa brasileira passa a enfrentar um ambiente menos favorável. Na última quinta-feira (12), novos dados de inflação (IPCA) reforçaram a cautela dos investidores e enfraqueceram as expectativas de um ciclo mais consistente de valorização.
De acordo com o IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,7% em fevereiro. O resultado ficou acima da alta registrada em janeiro, de 0,33%, e também superou as projeções do mercado, que esperavam uma variação de 0,65% no período.
Assim, no acumulado dos 12 meses, a inflação agora está em 3,81%, ante 3,77% das projeções do mercado.
O dado trouxe ainda mais pressão aos ativos de risco domésticos, que já estavam deprimidos por conta do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, e a escalada do preço do petróleo. Ao longo do pregão da quinta-feira, o Ibovespa operava em queda de mais de 2%.
Esse cenário coloca em “xeque” um dos principais “gatilhos” de alta da bolsa brasileira em 2026: o ciclo de cortes da Selic. E a pergunta que fica é:
Depois das últimas surpresas, ainda existe ‘gatilho’ para a bolsa subir?
Desde o fim de 2025, muitos especialistas de mercado vinham defendendo que o início do ciclo de afrouxamento monetário seria um gatilho para a bolsa brasileira.
Afinal, a queda dos juros por aqui, somada às incertezas do cenário externo atraindo fluxo estrangeiro, poderiam impulsionar ainda mais as ações domésticas.
Entretanto, Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, aponta que o preço do petróleo voltando aos US$ 100, o IPCA mostrando aceleração e os dados de vendas no varejo tornam a materialização desse gatilho um desafio.
O analista explica que, embora o preço do petróleo favoreça exportadores da commodity, como é o caso do Brasil, a alta também implica em mais inflação. Esse fator, aliado aos números do IPCA e uma atividade econômica resiliente, podem resultar em mudanças na condução da política monetária.
Diante desse contexto, “muito dificilmente haverá um corte de 50 pontos [na Selic]”, segundo o analista, que aponta que, no atual cenário, é possível que o Banco Central realize “um corte mais cauteloso, de apenas 25 pontos-base na semana que vem”.
Ou seja, “ele [o corte de juro] vai acontecer, porém de forma mais contida”, destaca. Assim, mesmo em um cenário em que o principal gatilho para a bolsa brasileira seja mantido, a volatilidade causada por tensões geopolíticas deve pressionar os ativos no curto prazo.
Para o analista, neste momento, os investidores devem adotar uma estratégia com perfil mais previsível. Nesse sentido, recomendou aos leitores da sua newsletter, “Mercado em 5 Minutos”, a Carteira Empiricus Renda Extra. Apenas em fevereiro, o portfólio que entregou uma rentabilidade 320% acima do CDI.
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