A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

Você lembra o que estava fazendo em setembro de 2021? Esta foi a última vez que uma empresa abriu capital e emitiu ações pela primeira vez na B3. Pode não parecer, mas já faz quase meia década.

Desde então, muita coisa mudou. A taxa básica de juros saiu da mínima histórica de 2% para os atuais 15% ao ano. Saímos de uma pandemia – mas estamos no meio de um conflito no Oriente Médio. O Ibovespa saiu dos cerca de 110 mil pontos para um patamar de aproximadamente 180 mil.

De R$ 3,18 trilhões em valor, a bolsa tem hoje R$ 3,58 bilhões – e o investidor estrangeiro continua tendo o maior peso.

Mas, depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar. Algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital e estão no processo para tocar o sino da B3.

Diante disso, como não repetir os erros do passado, quando empresas por vezes despreparadas chegaram à bolsa e não resistiram à pressão? Será que a instabilidade nos mercados, por causa do conflito no Oriente Médio, pode atrapalhar esse processo?

E para você, investidor pessoa física? Faz sentido entrar em um IPO, com as promessas de ganho rápido, ou é melhor aguardar?

Para responder a essas perguntas, conversei com Rafael Oliveira, o gestor de ações da Kinea. Confira nesta matéria aqui.

Esquenta dos mercados

A segunda-feira começa com o mercado global em modo de aversão ao risco. O gatilho vem do mesmo lugar que tem ditado o humor dos investidores nas últimas semanas: o Oriente Médio.

A escalada do conflito na região voltou a sacudir os preços das commodities e colocou os mercados globais em alerta logo nas primeiras horas do dia. As cotações do petróleo chegaram a saltar cerca de 30%, beirando os US$ 120 por barril, diante do temor de um choque de oferta.

O movimento foi impulsionado pela redução de produção de alguns produtores do Golfo e pelo contínuo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Parte da alta, porém, perdeu força após relatos de que o G7 e a Agência Internacional de Energia (AIE) discutem liberar reservas estratégicas de petróleo. Mesmo assim, o mercado segue pressionado: o Brent, referência internacional, ainda avançava cerca de 13% nesta manhã.

Os ataques envolvendo Estados Unidos, Israel, Irã e outros países da região também continuaram no fim de semana. No domingo, o Irã anunciou a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei no posto de líder supremo.

No Brasil, a agenda macroeconômica é mais leve e traz apenas o Boletim Focus como destaque. Com isso, o mercado local deve acompanhar de perto o humor do exterior ao longo do pregão.

Na agenda corporativa, saem hoje os resultados de MRV (MRVE3), antes da abertura, e de Cosan (CSAN3) e Direcional (DIRR3) após o fechamento.

Também nesta segunda-feira, a B3 volta ao horário regular de negociação, após o fim do horário de verão nos Estados Unidos. A bolsa passa a abrir às 10h, com fechamento às 16h55 e call até 17h. O after market também retorna.

No exterior, a reação dos investidores à tensão no ar é negativa. Os mercados asiáticos fecharam o dia em forte queda, pressionados pelo impacto da alta da energia em economias fortemente dependentes de importação.

Na Europa, as bolsas também operam no vermelho, com perdas superiores a 1,5%, pressionadas tanto pela alta da commodity quanto por dados mais fracos da indústria da Alemanha.

Em Wall Street, o clima segue sendo de aversão ao risco. Os futuros dos principais índices norte-americanos recuam cerca de 1%, enquanto os rendimentos das Treasurys e o dólar avançam.

Outros destaques do Seu Dinheiro

BOLSO CHEIO

Disparada no preço do petróleo pode aumentar os dividendos da Petrobras (PETR4); saiba o que esperar e o que já está no radar. Estatal vai pagar R$ 8,1 bilhões aos acionistas e sinalizou que pode distribuir ainda mais dinheiro se o caixa continuar cheio

FICOU MAIS CARO

Em meio a guerra entre EUA e Irã, petróleo dispara 35% na semana, maior salto desde 1983. Escalada do conflito no Oriente Médio provoca disparada histórica do petróleo; alta impulsiona ações da Petrobras na bolsa

FAVORITAS DO MERCADO

Axia (AXIA3) e Vale (VALE3) são as ações ‘queridinhas’ para o mês de março; veja a lista completa. Ranking reúne as ações mais citadas por bancos e corretoras nas carteiras recomendadas do mês

A REUNIÃO IDEAL

Fórmula perfeita? Por que Jeff Bezos não usa power point e começa as reuniões com silêncio de 30 minutos. O bilionário não gosta de apresentações e valoriza a opinião dos funcionários, mesmo os mais juniores.

ENTRE TAÇAS E TELAS

São Paulo: 6 experiências fora do radar para sair do óbvio em março. Degustação de whisky japonês, mostra com filmes clássicos alemães e teatro em meio às obras do Copan — as experiências que merecem entrar na sua agenda em março

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

AMEAÇA DE ATAQUE

‘Irã será duramente atingido’, diz Donald Trump. Presidente dos Estados Unidos fez novas ameaças ao Irã em seu perfil no Truth Social neste sábado (7)

IMPÉRIO MILIONÁRIO

Hábitos financeiros: 3 coisas que sabotam sua riqueza, segundo um milionário “self-made”. O melhor símbolo de status para um milionário é uma conta bancária robusta, segundo Brian David Crane

DESTAQUES DA SEMANA

Braskem (BRKM5), Prio (PRIO3) e Petrobras (PETR3) lideram as maiores altas do Ibovespa na semana. Escalada da guerra no Oriente Médio e disparada do petróleo marcaram a semana na bolsa brasileira; veja as ações com maiores altas e quedas

METAIS PRECIOSOS

Ouro termina semana em queda de 3%: o que explica o movimento do metal em meio à tensão no Oriente Médio? Ouro sobre nesta sexta-feira (6), mas fecha semana no vermelho; entenda o que mexeu com o metal

BOMBOU NO SD

Imposto de renda 2026 com prazo mais curto, a revanche dos bancões e o ‘cofrinho’ de 140% do CDI do Mercado Pago: veja as mais lidas da semana. O atraso da Receita Federal bombou no Seu Dinheiro na última semana, junto com bancos grandes e pequenos

RECOMENDAÇÃO

Investindo no agronegócio: Cosan (CSAN3) e Suzano (SUZB3) dominam as recomendações de analistas para março. Com foco em desalavancagem e novos projetos, as gigantes do setor lideram a preferência dos especialistas

CRAQUE

O investimento Lionel Messi: por que o Inter Miami paga até R$ 420 milhões por ano ao craque argentino? Com ganhos anuais que chegam a US$ 80 milhões, Lionel Messi impulsiona o valor de mercado do clube norte-americano e atrai parceiros globais de peso

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Sr. Lobo

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