Após renovar máximas históricas na semana anterior, o Ibovespa passou por uma realização de lucros. A bolsa brasileira ficou pressionada pela combinação de juros mais altos nos Estados Unidos, avanço do preço do petróleo e novas preocupações com o cenário fiscal brasileiro.
Entre segunda (12) e sexta-feira (16), o Ibovespa recuou 1,7% em reais e encerrou a semana aos 205.430 pontos. Em dólares, a queda foi ainda maior, de 3,5%, refletindo a valorização da moeda norte-americana frente ao real.
O dólar voltou a superar a marca de R$ 5 e fechou a semana em R$ 5,07.
O que aconteceu na semana
O gatilho mais importante veio dos Estados Unidos. O núcleo do CPI, indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), avançou 0,33% em setembro, acima das expectativas do mercado.
Em 12 meses, a inflação subjacente acelerou para 2,6%, reforçando a percepção de que o banco central norte-americano pode voltar a elevar os juros já na reunião do fim de outubro.
Por aqui, os investidores também reagiram a uma combinação pouco favorável de dados econômicos e ruÃdos polÃticos atrelados à eleição presidencial.
Os números de serviços e varejo vieram abaixo do esperado, reforçando sinais de desaceleração da atividade econômica. Além disso, temas como o fim da escala 6x1 e tarifa zero no transporte público — ambos com potencial impacto sobre as contas públicas — voltaram a elevar os prêmios de risco exigidos pelos investidores.
Em paralelo, o preço do petróleo voltou a ganhar força no mercado internacional.
O acirramento das tensões geopolÃticas no Oriente Médio elevou receios sobre a oferta global da commodity e ajudou a levar a cotação do barril Brent para perto de US$ 110, ajudando as ações ligadas ao petróleo a se destacarem na bolsa brasileira.
O que vem por aÃ
Na próxima semana, investidores devem acompanhar a divulgação de novos indicadores para calibrar as apostas para juros no Brasil e no exterior.
Por aqui, o principal destaque será a divulgação do IPCA-15 de outubro, considerado uma prévia da inflação oficial. O mercado também acompanhará o IGP-10 da FGV e uma nova edição do Boletim Focus, que atualmente projeta a Selic em 13,25% ao fim deste ano.
Se essa projeção se confirmar, o Banco Central promoverá mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, levando a Selic dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano.
No campo polÃtico, as atenções seguem concentradas na reta final da disputa presidencial de segundo turno. Nos próximos dias, o governo deve formalizar o fim da escala 6x1 aprovada nesta semana e atuar no novo projeto anunciado: a tarifa zero para o transporte urbano aos finais de semana.
O mercado acompanha com atenção devido ao potencial impacto nas contas públicas e na definição do pleito eleitoral que, atualmente, tem o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), como favorito à cadeira no Planalto.
No exterior, o foco estará na China, que divulga o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, além dos dados de produção industrial e vendas no varejo. Os números ajudarão a medir o ritmo da segunda maior economia do mundo e seus possÃveis impactos sobre commodities importantes para o Brasil, como minério de ferro e petróleo.
Nos Estados Unidos, o mercado continuará monitorando os desdobramentos da inflação mais forte e as expectativas para a próxima decisão do Fed sobre os juros.
O Ibovespa na semana
Petróleo sobe com Oriente Médio e puxa as petroleiras
Enquanto boa parte da bolsa sofria com a realização de lucros, as petroleiras caminharam na direção oposta.
A trégua energética entre Rússia e Ucrânia perdeu força rapidamente, enquanto novos ataques dos Houthis elevaram a tensão nas rotas de navegação da região do Golfo.
O mercado voltou a temer uma interrupção na oferta global de petróleo.
Com isso, o barril Brent acumulou alta de aproximadamente 6,2% na semana e encerrou o perÃodo próximo de US$ 109,7.
O movimento ajudou a sustentar os papéis de Petrobras (PETR3, PETR4), mas o destaque positivo do Ibovespa na semana ficou para a Prio (PRIO3). As ações da petroleira avançaram 8,8%, beneficiadas pela forte valorização do petróleo.
Também figuraram entre as maiores altas Petrobras (PETR4), com ganho de 6,6%, Petrobras (PETR3), que avançou 5,4%, e Ambev (ABEV3), com valorização de 5,3%.
Em termos setoriais, alimentos e bebidas lideraram os ganhos da semana, com alta de 3,1%, seguidos por óleo, gás e petroquÃmicos, que subiram 1,7%.
Entre as maiores quedas do Ibovespa figuraram Vamos (VAMO3), que tombou 17,3%, Direcional (DIRR3), com perda de 14,6%, e Tenda (TEND3), que recuou 12,7%.
As construtoras divulgaram suas prévias trimestrais ao longo da semana e não animaram o mercado.
Além disso, com o aumento das preocupações fiscais, investidores reduziram exposição aos setores mais dependentes de crédito e financiamento. O resultado foi uma semana particularmente difÃcil para construtoras, varejistas e outras empresas sensÃveis ao cenário doméstico.
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