Explosão de motoqueiros no iFood, Rappi, 99 e Uber vira oportunidade para empreender com lavanderias de capacetes

Quem usa moto no dia a dia normalmente é defensor ferrenho pelo deslocamento mais rápido e barato, que serve como uma importante fonte de renda no caso de trabalhadores de aplicativos de entrega ou mototáxi. Não é à toa que, nos últimos 10 anos, o número de motos em circulação no país saltou 46,8%, com total de 38 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).

Principalmente nas grandes cidades, há um “boom” de brasileiros que trabalham com motos em aplicativos como iFood, Keeta, Rappi, 99, Uber, além de entregas de marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Shopee e por aí vai.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, mostra que cerca de 1,1 milhão de brasileiros utilizam motos como principal instrumento de trabalho.

Todos esses dados chamaram a atenção de empreendedores para a higienização de capacetes, que culminou no surgimento de empresas com máquinas de autoatendimento de limpeza de capacetes. A proposta é semelhante à de lavanderias que já se espalharam pelo país.

Esse é o caso da Pitcap, que começou a ser desenvolvida na metade de 2025 e saiu do papel neste ano em modelo de franquias e venda de máquinas de higienização para estabelecimentos interessados.

A marca foi lançada em março deste ano e já acumula 75 franqueados e máquinas vendidas.

De onde veio ideia de uma empresa de limpeza de capacetes

Apesar de ser um negócio novo no Brasil, empresas de autoatendimento para a higienização de capacetes já existem em países da Ásia e nos Estados Unidos há cerca de dez anos, com as primeiras patentes aparecendo a partir de 2014.

Foi em uma viagem para a Califórnia, nos Estados Unidos, que o fundador da Pitcap, Antony Fedlallah, teve contato com a tecnologia pela primeira vez. Em 2023, foi à China em uma viagem profissional, já que era sócio de uma empresa de importações.

"Vi uma fila em um local que parecia oficina de moto. Me chamou a atenção e pesquisei sobre, mas desencanei na época. Em uma viagem de negócios para a China, no ano seguinte, percebi que era um segmento que estava crescendo e descobri que quase toda a Ásia já usava máquina para higienizar capacete”, disse em entrevista ao Seu Dinheiro, durante a Feira do Empreendedor 2026.

Ao conhecer a tecnologia, imaginou que no Brasil isso poderia se expandir pelo número elevado de motocicletas. Ele estima que cada motociclista tem, em média, dois capacetes, o que representa um universo de pelo menos 80 milhões de itens de proteção.

De olho nesse potencial, voltou ao país e decidiu investir no negócio de higienização, com foco principalmente em quem trabalha com moto.

“Quem trabalha de mototáxi, por exemplo, tem capacete que pode ser usado por dezenas de passageiros ao longo da semana. Ele acumula suor, umidade, fungos e bactérias. Muita gente não tem tempo ou condições de desmontar e lavar o equipamento com frequência", diz o empreendedor.

Em vez de importar máquinas da China, ele preferiu desenvolver uma tecnologia própria.

O principal motivo é a logística, que levaria entre 60 e 90 dias para cada máquina viajar do gigante asiático ao Brasil, além da manutenção que também demandaria peças importadas.

Para tirar o projeto do papel, Fedlallah afirma ter investido cerca de R$ 400 mil entre pesquisa, desenvolvimento e fabricação dos primeiros protótipos. O trabalho de pesquisa e desenvolvimento levou cerca de seis meses de testes até que a empresa encontrasse o modelo que chegou ao mercado.

Segundo o empreendedor, a fabricação no Brasil permite reduzir custos de manutenção, importação e acelerar a entrega dos equipamentos.

Máquina de limpeza desenvolvida pela Pitcap
Máquina de limpeza desenvolvida pela Pitcap

A higienização nas máquinas da Pitcap leva quatro minutos e custa R$ 10. A limpeza é automática, feita pela máquina com vapor de água, esterilização com lâmpadas de raio ultravioleta, ventilação e aplicação de fragrância.

Quanto custa para quem quer empreender

A Pitcap funciona como fabricante, franqueadora e distribuidora. Fedlallah explica que, no modelo de franquias, investimento é de R$ 23.500 e há um pagamento de 8% de royalties.

Esse modelo é voltado para quem não possui um ponto comercial próprio, e inclui o suporte da empresa na busca e negociação de espaços em shoppings, supermercados e redes de estacionamento. Atualmente, há 10 franquias da rede iniciante.

A outra estratégia é a venda direta da máquina, em um formato chamado de Cap Express. O equipamento custa R$ 24.000 e não cobra royalties. É a opção recomendada para quem já é dono de um espaço comercial, como oficinas de moto, postos de combustíveis ou lojas de autopeças, e quer gerir o negócio de forma independente.

O fundador da empresa explica que essa segunda frente, que já vendeu 65 unidades nos últimos meses, surgiu com a criação de outras marcas no Brasil que vendem máquinas de autoatendimento de higiene de capacetes. Essas outras companhias importam o produto da China e se tornaram concorrentes diretas da Pitcap.

Para se destacar no mercado que tem se tornado mais competitivo, o empreendedor diz que a Pitcap mira parcerias com aplicativos para que entregadores e mototáxis tenham acesso a uma higienização gratuita após um determinado número de corridas. A ideia é apresentar o serviço para mais brasileiros.

Além disso, segundo Fedlallah, apesar de não divulgar metas financeiras, há o objetivo de realizar 50 vendas por mês — seja no modelo de franquias ou somente da máquina.

Novas marcas surgindo nesse mercado em expansão

Com a alta desse segmento, outras empresas também surgiram no mercado. Uma das concorrentes da Pitcap é a Capbox, companhia que foi fundada em Natal, no Rio Grande do Norte, no ano passado com a importação de máquinas chinesas.

A empresa já conta mais de 500 máquinas de autoatendimento espalhada por todos os estados do país, além da participação no Paraguai, na Argentina e Colômbia.

Diferentemente da Pitcap, que também é franqueadora, a Capbox aposta em um modelo baseado exclusivamente na venda dos equipamentos para empreendedores.

Segundo Lucas Silva, representante comercial da empresa que estava presente na Feira do Empreendedor 2026, o surgimento da companhia também está atrelado ao crescimento da quantidade de motociclistas utilizando o veículo como ferramenta de trabalho.

"Muitos motociclistas usam o mesmo capacete todos os dias para trabalhar e não têm tempo para desmontar e fazer uma limpeza frequente. A máquina foi criada justamente para resolver essa dor", afirma.

A higienização é feita por meio de ozônio, luz ultravioleta e um desinfetante específico, sem necessidade de água. O equipamento tem preço a partir de cerca de R$ 26 mil e, para o usuário, custa a partir de R$ 16 cada limpeza.

Máquina de higienização da marca Capbox
Máquina de higienização da marca Capbox. Divulgação/Capbox

Entre os compradores estão desde profissionais que deixaram empregos formais para abrir o próprio negócio até donos de postos de combustíveis, oficinas mecânicas e lojas especializadas em motos, destaca Silva.

Outros nomes com propostas semelhantes são a Higiecap e GrauCap, por exemplo.

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Sr. Lobo

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