Uma passada pelos clubes esportivos e centros de bem-estar de alto padrão da Flórida ou até em um passeio pelas quadras de Nova York, já dá para se ter uma ideia do que o pickleball virou nos Estados Unidos. Queridinho de executivos e celebridades, o esporte vive uma fase de expansão também fora do país onde nasceu, inclusive, no Brasil.
“O pickleball é uma espécie de primo do tênis, mas se diferencia do esporte em alguns aspectos”, explica ao Seu Dinheiro o treinador Eduardo Ferreira, que mora na Flórida e dá aulas a frequentadores do fitness center do complexo hoteleiro de luxo The Boca Raton. Segundo ele, uma das vantagens da modalidade é a facilidade para começar a jogar. “É um esporte com uma barreira de entrada mais simples, o que atrai muitos praticantes aqui.”
A modalidade, porém, está longe de ser uma novidade. O pickleball surgiu em 1965, na ilha de Bainbridge, perto de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos. A ideia partiu de três amigos - o congressista Joel Pritchard, o empresário Bill Bell e Barney McCallum - que, durante as férias de verão, decidiram criar uma brincadeira para tirar os filhos do tédio.
Sem encontrar todos os equipamentos necessários para jogar badminton, adaptaram uma rede, raquetes e uma bola de plástico perfurada. A ideia agradou à família e aos amigos e, aos poucos, ganhou regras próprias. Seis décadas depois de nascer, a brincadeira ganhou quadras próprias, competições e uma comunidade internacional de praticantes.

Como funciona o pickleball e quais são as diferenças em relação ao tênis?
O pickleball combina características do tênis, do badminton e do tênis de mesa. A quadra tem dimensões semelhantes às de uma quadra de badminton para duplas, mas a modalidade utiliza raquetes sólidas, sem cordas, e uma bola de plástico rígido com furos.
As diferenças começam pelo tamanho do espaço de jogo. A quadra de pickleball mede cerca de 13,4 metros de comprimento por 6,1 metros de largura. Já uma quadra de tênis tem 23,77 metros de comprimento e 8,23 metros de largura nos jogos individuais, chegando a 10,97 metros de largura nas partidas de duplas.
Enquanto a raquete de tênis tem uma estrutura com cordas e a bola é revestida de feltro, o pickleball utiliza uma raquete rígida e uma bola perfurada. A combinação favorece trocas rápidas e exige precisão no controle dos golpes, mesmo em um espaço menor.
Há ainda regras específicas. "Uma delas envolve a kitchen, ou cozinha, nome dado à área próxima à rede em que o jogador não pode rebater a bola de voleio, isto é, antes que ela toque o chão", explica Eduardo. "Outra particularidade é a regra dos dois quiques: após o saque, a bola precisa quicar uma vez de cada lado antes que os jogadores possam rebatê-la no ar".

A cena do pickleball no Brasil
No Brasil, o pickleball ainda está longe de alcançar a popularidade do tênis, mas começa a conquistar espaço em clubes, centros esportivos e empreendimentos imobiliários de alto padrão.
A Federação Paulista de Pickleball contabiliza 21 clubes que oferecem a modalidade no estado. Em âmbito nacional, 17 estados já contam com federações do esporte, segundo os dados levantados para esta reportagem.
O avanço também aparece no calendário competitivo. Em junho de 2026, o Campeonato Brasileiro de Pickleball, realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, reuniu mais de 2.200 inscrições. O evento contou com participantes de 24 estados brasileiros e de outros sete países.
Os números indicam que a modalidade começa a formar uma estrutura para além das partidas recreativas. A expansão de clubes, federações e torneios é importante para atrair novos praticantes, organizar competições e ampliar a presença do esporte no país.
Mas o crescimento da base de jogadores é apenas uma parte da história. No cenário internacional, o pickleball também tenta conquistar um reconhecimento que mudaria sua projeção: o olímpico.

O pickleball pode entrar nas Olimpíadas?
A popularidade do pickleball nos Estados Unidos não garante, por si só, uma vaga nos Jogos Olímpicos. Para chegar lá, a modalidade precisa avançar no reconhecimento internacional, consolidar sua governança e atender aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Em artigo publicado pela Global Pickleball Federation, Brandon Mackie, cofundador da plataforma Pickleheads, voltada a praticantes de pickleball, explica que o próximo desafio é transformar a popularidade do esporte em uma estrutura global. Esse avanço é fundamental para viabilizar uma futura candidatura olímpica.
Uma delegação da Global Pickleball Federation viajou a Lausanne, na Suíça, conhecida como a "capital olímpica". O grupo incluía o presidente da entidade, Javier Regalado, e se reuniu com representantes do esporte internacional no ano passado. O objetivo era dar início ao processo de adequação aos requisitos olímpicos.
"Para um esporte que lutava contra uma liderança fragmentada, este foi um grande momento. A GPF agora conta com 67 países-membros e está buscando a unidade em todo o cenário global do pickleball. Eles estão tentando construir o tipo de legitimidade que o Comitê Olímpico Internacional busca", diz Mackie.
A estreia do pickleball nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, é considerada praticamente impossível. Para Brisbane, na Austrália, em 2032, porém, a possibilidade segue em discussão. Já que as cidades-sede podem propor a inclusão de modalidades adicionais no programa olímpico. Foi o que aconteceu com o skate, o surfe e a escalada esportiva nos Jogos de Tóquio, em 2020.
The post A febre do pickleball: o esporte que está bombando nos EUA vai se tornar olímpico até 2032? appeared first on Seu Dinheiro.
