A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) mostra por que prefiro ficar longe do varejo, exceto por uma única empresa 

Aquilo já tinha se tornado praticamente uma tradição, quase como o Natal. Uma vez por ano, meu pai nos colocava no carro e nos levava a uma loja da Casas Bahia para fazer uma “grande” compra. 

Bem, nem sempre dava certo. Às vezes, e na verdade isso acontecia com bastante frequência, o dinheiro que ele havia guardado, e que já não era muito, acabava indo parar quase todo no bolso do Fran, o mecânico que consertava o velho Del Rey— e que meu pai fazia questão de dizer que "era um carro de luxo quando foi lançado”, mas convenientemente omitia que isso tinha acontecido duas décadas antes.  

Mas quando sobrava algum dinheiro, era nas Casas Bahia que comprávamos uma TV nova, um armário, uma geladeira ou uma máquina de lavar. 

Naquela época, a empresa praticamente não tinha concorrentes. Além disso, em um cenário de baixa bancarização, o tradicional carnê ajudava a impulsionar as vendas e reforçava seu diferencial competitivo. 

Mas o varejo mudou 

Trinta anos depois, o cenário se tornou muito mais desafiador para as varejistas tradicionais. Primeiro, pela concorrência das plataformas estrangeiras, que além das vantagens tecnológicas contam com uma enorme capacidade de investimento. 

Como se isso não bastasse, o país convive com juros elevados e famílias cada vez mais endividadas, fatores que inibem o consumo.  

Por isso, embora eu tenha recebido com alguma tristeza a notícia do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, ela está longe de ser uma surpresa e serve como um alerta para quem investe no setor.  

Aliás, quem acompanha as colunas do Sextou há algum tempo já sabe que eu tenho evitado exposição ao varejo e dado preferência a teses mais resilientes e pagadoras de dividendos, como Itaú (ITUB4) e Axia (AXIA3).  

Mas existe uma varejista que vem demonstrando capacidade de atravessar esse ambiente adverso e que ainda apresenta um potencial relevante de crescimento. 

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Surfando novas tendências 

Não é novidade para ninguém que a moda fitness vem ganhando cada vez mais espaço. As pessoas têm adotado estilos de vida mais saudáveis e buscado roupas que ofereçam conforto tanto para a prática de exercícios quanto para o dia a dia. 

Os resultados do 2T26 da Track & Field deixam essa tendência bastante evidente. Enquanto boa parte do varejo sofre, a companhia mostrou crescimento de 15% da receita líquida e de 17% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mantendo margens em níveis saudáveis. 

Ainda assim, isso não foi suficiente para sustentar as ações, que acumulam queda de cerca de 20% no ano e passaram a negociar próximas de seus menores níveis de valuation, por aproximadamente 9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. 

Preço/Lucros de TFCO4. Fonte: Bloomberg. 

Pelos motivos que já comentamos, não vejo as quedas de Casas Bahia e Magazine Luiza (MGLU3) como oportunidade de investimento.  

Com a Track & Field, porém, a história é diferente. Mesmo em um ambiente difícil para o varejo, a companhia segue entregando crescimento, preservando margens e negociando a múltiplos bastante atrativos. 

Por isso, ela faz parte da carteira Empiricus Small Caps. Clicando aqui, você pode conferir essa e muitas outras recomendações gratuitamente por 30 dias

Um abraço e até a próxima,  

Ruy 

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Sr. Lobo

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