Por que apostar nas zebras — na bolsa ou no bolão — é menos lucrativo do que parece

Resolveram sofisticar até os bolões — você acredita? Antigamente, bastava acertar o palpite de um jogo para receber a pontuação máxima e chegar mais perto do prêmio.

Não no bolão da firma deste ano. Agora, além de acertar o resultado, a pontuação máxima só acontece se o vencedor escolhido for também o menos provável.

Por exemplo, se você apostar na favoritíssima Argentina na partida contra a Jordânia e os hermanos vencerem, receberá 15 pontos. Se por outro lado apostar na Jordânia e ela for a ganhadora, levará 24 pontos, ou seja, 60% a mais!

Como você pode perceber, a diferença no bolão deste ano é que, além do placar, ele considera também as chances de cada equipe nos jogos — apostar nos menos acreditados rende mais pontos.

Mas o que isso tem a ver com ações? Tudo!

Subirá mais porque caiu mais?

Você sabe que o ano não tem sido fácil para muitas ações da Bolsa, especialmente depois da guerra e consequente piora das perspectivas para a inflação.

Não à toa, algumas ações mais cíclicas despencaram em 2026, como Magazine Luiza (-49%), citando apenas um exemplo.

Na outra ponta, empresas que possuem negócios mais estáveis têm conseguido apresentar um desempenho notadamente mais resiliente — um exemplo é a Equatorial, presente em nossa carteira, que está praticamente no zero a zero no mesmo período.

Depois dessa forte desvalorização, MGLU3 ficou bem abaixo da média de preço-alvo de R$ 9 que os analistas têm para o papel — à primeira vista, um potencial bastante atrativo, de cerca de 90%.

Dado o recuo mais modesto, EQTL3 se distanciou menos do preço-alvo (perto de R$ 50), o que representa um potencial de alta bem mais modesto, de “apenas” 35% de acordo com as expectativas contidas na Bloomberg.

Aqui começa ficar mais clara a relação entre o bolão e uma boa carteira de ações. Será que o potencial de alta é o fator mais importante na hora de escolher um ativo?

A aposta na vitória da Jordânia é certamente mais “lucrativa”, mas tem muito menos chances de acontecer.

Zebras acontecem menos vezes do que gostaríamos, na Copa e na bolsa

Apesar de bastante simplista, esse exercício ajuda a entender como deveria ser o método de construção de uma carteira: nunca pensar apenas no potencial de retorno dos ativos, mas em uma combinação do potencial com a probabilidade de esses resultados acontecerem.

É verdade que muitas ações brasileiras acumulam quedas de 30%, 40%, 50% no ano..., mas isso não é o suficiente para fazer delas boas escolhas.

MGLU3 despencou, mas a vida dela também ficou muito mais difícil desde o início do ano, com a guinada nas perspectivas para a Selic, restrição de crédito e competição cada vez mais acirrada no e-commerce.

Para a Equatorial, a piora macro pode não ajudar, mas atrapalha pouco: o negócio de distribuição de água e energia não depende muito do macro, e ela conseguiu arrematar a Copasa recentemente no leilão de privatização, se tornando ainda mais relevante no setor.

Em resumo: de vez em quando pode valer a pena apostar em alguma zebra, especialmente se você conhecer profundamente o potencial do azarão. Mas isso normalmente será exceção, e não a regra para a sua carteira de investimentos, que deve ser composta majoritariamente por empresas de qualidade e capazes de enfrentar até mesmo os adversários mais difíceis.

Com o Empiricus+ você acessa a Empiricus Ações, uma carteira focada em empresas de muita qualidade, como a Equatorial.

Agora, se você gosta de escolhas menos óbvias, a mesma assinatura dá acesso também à carteira de Small Caps, composta por seis empresas pouco conhecidas — menos favoritismo, maior assimetria.

Um abraço e até a próxima,

Ruy

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Sr. Lobo

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